As palavras apenas chegam perto do que a gente quer
dizer. E, no meu caso, que pouco conheço da profundidade e da sua variedade, é
ainda pior.
Mesmo assim não poderia deixar passar em branco o
nosso dia.
Sinto-me muito feliz por te namorar até hoje. Ainda lembro
do nosso encontro, há vinte anos, quando a nossa timidez parecia que não iria
nos levar tão longe. E, no entanto, cá estamos refletindo sobre o nosso
caminho.
É muito bom te amar! Os meus dias ficam mais
aconchegantes quando penso em
ti. As noites ficam curtas e um dia é pouco.
Espero poder passar muitos vinte anos contigo.
Lembrei de uma música que há onze anos a gente vem
cantando e que agora a nossa filha também faz o mesmo. Mais ainda, a canção
reflete bem a nossa filosofia: viver, amar, valeu. A composição é do sempre bom
Gonzaguinha e é belamente interpretada pela Zizi Possi, no CD Valsa Brasileira.
Quando a atitude de viver
É uma extensão do coração
É muito mais que um prazer
É toda carga da emoção
Que era o encontro com o sonho
Que só pintava no horizonte
E, de repente, diz presente
Sorri e beija a nossa fronte
E abraça e arrebenta a gente
É bom dizer viver, valeu
Ah! já não é nem mais alegria
Já não é nem felicidade
É tudo aquilo num sol riso
É tudo aquilo que é preciso
É tudo aquilo paraíso
Não há palavra que explique
É só dizer viver, valeu
Ah! eu me ofereço esse momento
Que não tem paga e nem tem preço
Essa magia eu reconheço
Aqui está a minha sorte
Me descobrir tão fraco e forte
Me descobrir tão sal e doce
E o que era amargo acabou-se
É bom dizer viver, valeu
É bom dizer amar, valeu.
Amar, valeu.
Estou aproveitando o máximo que posso dos últimos dias em que tenho o privilégio de estar em tempo integral com a minha filhota. Tudo o que é bom dura pouco – dizia minha mãe. Tendo a concordar com ela no contexto em que estou tratando.
Foram três meses de convívio intenso. Aprendi coisas que jamais esquecerei, tampouco imaginava ser capaz de realizar. Nada, absolutamente nada, substitui a alegria divina de se ter um filho. Acompanhei o nascimento dela: o seu primeiro chorinho, a primeira injeção, além de alguns exames cruciais para a vida de uma criança e que – ao mesmo tempo – doem de serem feitos.
A Lu ficou seis meses com ela; eu, mais três. Demos o máximo de carinho possível. Paparicamos por todos os lados. E somos eternamente agradecidos a Deus pela perfeição da nossa anjinha. Ela é um amor. Está sempre sorrindo. Tal como o pai, adora música (espero que, no futuro, adore também a leitura). Durante esse tempo, ela conheceu alguns amigos bem chegados com os quais convivemos bastante. Todos queriam agarrá-la, beijá-la. Para nós – pais – isso sempre foi o ápice.
Sempre nos deu e sempre nos dará uma alegria indizível olhá-la em momentos distintos, a fim de verificar se tudo está bem, e notá-la respirando, espreguiçando-se, dando lindos gemidos de preguiça. Não lembro de não ter chorado de emoção ao ver essa cena.
No entanto, a vida diária e cotidiana nos chama. Temos de trabalhar, manter nossos sustentos e, na medida do possível, projetar coisas para a nossa princesa. Certamente, também, estaremos sempre em alerta, absolutamente prontos para quaisquer eventualidades que a paternidade nos imponha.
Mesmo que ela não entenda (só tem oito meses) digo que será um aperto deixá-la para ir ao trabalho, mas que será um prazer enorme voltar pra casa correndo, saudoso daquele sorriso que nos amolece, nos emociona, nos faz ser gratos a Deus, nos faz cada vez mais esperançosos de que a vida pode ser cada dia melhor.
Passei por aqui a fim de dar algumas notícias. Estou ausente faz um tempo e isso tem lá suas razões.
Eu continuo escrevendo. Bem menos, é verdade. Sobretudo, o faço no meu caderno (gosto de rascunhar com caneta – num caderno – antes de ir ao computador). Mas os momentos e os horários mudaram significativamente. Agora é quando dá.
Pois bem, vamos ao que interessa.
Estou dedicado ao meu maior projeto de vida, à razão da minha vida, à paternidade. Desde setembro cuido em tempo integral da minha linda Maria Flor; e assim continuarei até o final de novembro. Dedico-me de corpo e alma na curtição de todas as funções que um ser miúdo demanda. Colo, passeios, remédio, fralda, suco, fruta, papinha, brinquedos e brincadeirinhas; almoço. Tudo comigo. Agora ela está enrolando e ensaiando as primeiras palavras. Já se observa os dois primeiros dentinhos. Além disso, o cuidado está sendo redobrado porque ela não para mais na mesma posição em que é deixada. Também notamos que ela adora música, espero que tenha um gosto aproximado do pai e da mãe. Veremos.
No pouco tempo que me sobra leio, ouço mmmmuuuuiiiittttaaaa música (um vício desde sempre), rabisco textos, preparo aulas, assisto a filmes e cuido de algumas tarefas domésticas. Com a chegada da Maria Flor – esperada há catorze anos – não poupamos esforços para “lamber a cria”. Estamos sempre perto. Ela é o centro. O resto pode esperar. Daqui a pouco ela irá para uma escolinha e nós tentaremos retomar a nossa ‘rotina’ normal; por isso, não nos parece cansativa essa total dedicação. É-nos um privilégio.
Filha maravilhosa, presente de Deus para as nossas vidas!!!
Feliz Mensário!
Que mistério maravilhoso: estás conosco há um mês e não nos imaginamos sem você. Teu cheiro, tua pele, tua cor, tua voz, tudo em ti é motivo de nossa alegria e felicidade.
Te amamos, Levi & Luciane, os pais mais bobos do mundo.
Depois de uma noite e um dia de cão, passado dentro de um hospital (outro texto tratará disso), fico cada vez mais admirado com a minha mulher – a mãe da Flor. Não posso cansar de dizer que Deus foi extremamente generoso comigo dando-me a oportunidade de conviver com ela. Por isso, meu agradecimento pelas muitas forças que recebo para continuar vivo. E para as duas flores da minha vida, ofereço uma música linda: Linda Flor (o link abaixo permite ouvi-la. Originalmente, Zélia canta essa música no CD Eu me transformo em outras – boa pedida!).
LEVI NAUTER DE MIRA, doutorando em educação (UNISINOS), mestre em educação (UNISINOS) e graduado em Letras-português e literatura (ULBRA). Tenho interesse em livros de filosofia, sociologia, pedagogia e, às vezes, teologia. Sou casado com a Lu Mira, professora de História, e pai da linda Maria Flor. Adoramos filmes e séries.