04 fevereiro 2011

prédica e prática

04 fevereiro 2011 0

Levi Nauter





“A maioria das metas não é alcançada da noite para o dia. / Se quiser ficar gripado, fique perto de pessoas que estão com gripe.”
TJ Hoisington[1]



 
Neste momento sobem os créditos de um bom filme. É a segunda vez que o vejo. Tenho a impressão de que o verei mais vezes, como ocorre com outros aqui em casa. Os atores não são, por si só, daqueles que justificam a plateia. Ele, Aaron Eckhart, não chega perto de um Al Pacino nem faria o tipo de homem que me agradaria – se por homens eu tivesse atração. Ela? Bem, ela me lembra mais outras pessoas do que suas próprias atuações. Por exemplo, o azarão com o Brad Pitt ou a morna sensualidade em Separados pelo casamento com aquele ator feioso, sabe[2]? Ela também me lembra o John Mayer, baita músico.
Sei lá como, mas aqui a combinação dos dois atores ficou boa. Soma-se a isso a ótima fotografia, o jogo de cores ficou maravilhoso. Seattle como cenário romântico funciona tão bem quanto para a medicina. O desfile de ‘echarps’ é admirável; aquele carrinho da Ford seria um sucesso em Nova Santa Rita. Eu também adoraria meditar no mesmo lugar em que o Burke Ryan foi libertar o passarinho. Um comentário musical vale para a maravilha de interpretação da Priscilla Ahn em Dream (fiquei feliz em ter conseguido o EP bem antes do lançamento do filme).
Gostei do filme porque não me pareceu um romance barato. Há uma crítica a essa febre norte-americana de se tornar guru de alguma coisa. Lembrou-me doutra critica vinda do bem humorado Pequena miss sunshine. Neste, o pai da menina tinha um discurso dicotômico: pregava algo que a família estava longe de viver.
Em O amor acontece o protagonista Ryan escreve sobre como lidar com perdas. Para cada situação adversa que alguém da plateia o confrontava, ele dava como receita algum capítulo de seu livro, quase sempre articulado com uma frase de efeito (normalíssimo nas obras de auto-ajuda). O contraponto colorido vem pela Eloise (papel da Jennifer). Ela vai fazendo-o notar que ‘falar é fácil, fazer é difícil’[3]. Viver a vida de maneira mais simples admitindo falhas e buscando o aperfeiçoamento parece ser uma boa alternativa a viver de discursos e aparências.
Vale a pena sentar na frente da TV para assistir a esse filme.



NOTA
Texto escrito em 30-01-2011. Digitado em 02-02-2011.




[1] Autor auto-ajuda, TJ Hoisington escreveu o terrível Vença no trabalho, vença na vida..., publicado pela Futura. Li-o, contudo não recomendo.
[2] Vince Vaughn.
[3] Paráfrase a um trecho da música “O dah ho”, do grande André Abujamra, parte do ótimo CD Infinito de pé. A letra diz “pensar é fácil, fazer é difícil”.

13 janeiro 2011

foi-se 2010

13 janeiro 2011 0
Levi Nauter




Há um significado especial para mim no ano que findou. Foi nele que acabei com as minhas dívidas. Ou melhor, acabamos – eu e a Lu – com aquilo que nos prendia. Podemos sonhar novos projetos. Deveria ser um privilegio de todos, porém, infelizmente, a vida real não é tão fácil quanto gostaríamos. É um feito, todavia, ter-se casa própria, em terreno próprio, sem alienação fiduciária; soma-se a isso não dever nada para ninguém e temos, então, boas razões para comemorar o esforço empreendido. Houve noites em que eu almejava conversar mais um pouco com a Lu, paparicar mais minha filhota, mas o cansaço, o sono foram prevalentes e eu acabei sucumbindo aos roncos. Tudo valeu a pena.
Dediquei-me a leitura de livros ligados à educação e à área jurídica. A ficção teve de aguardar nas prateleiras da minha sala de estudos. Pude constatar e ratificar minha preferência por bons autores nacionais àqueles que enveredam na escrita a partir do norte (e talvez só por isso ganhem status de norteadores). O sul tem mais ranhuras, eu acho; há mais sangue e mais calo. Nele é necessário largar o gabinete com o ar condicionado e suar a camisa, pôr a mão na massa. Numa metáfora com a construção civil, no Sul a gente é bem mais pedreiro e servente que mestre de obras ou engenheiro civil (ou, ainda, arquiteto). Faço coro com o meu mestre Freire preferindo ser suleador a norteador.

Os vivos são governados pelos mortos. Que nada, os vivos são governados pelos mais vivos ainda.
Jorge Mautner e Nelson Jacobina[1]

No campo jurídico, deliciei-me com a densidade de algumas palavras, ao mesmo tempo em que me rendi ao saudoso Tom Jobim: “quanta gente existe por aí que fala tanto e não diz nada, ou quase nada”[2]. O truncamento de alguns textos relembrou-me a máxima de que a lei parece beneficiar os mais abastados e, de preferência, os que pegam menos sol, em que pese o sol nascer para todos.

“As cidades, como os sonhos, são construídas por desejos e medos, ainda que o fio condutor de seu discurso seja secreto, que as suas regras sejam absurdas, as suas perspectivas enganosas, e que todas as coisas escondam uma outra coisa.” Ítalo Calvino[3]

Na prática profissional tive uma das minhas melhores experiências. Trabalhei, à noite, numa comunidade considerada de alta vulnerabilidade social. Acompanhei, in loco, o linguajar violento, a facilidade da briga pela briga; a chuleza da música funk – que banaliza o sexo – e a esperança cantada em versos, no balanço do hip-hop. Notei o descaso do poder público (especialmente no que concerne à saúde, ao saneamento básico, à infraestrutura do lugarejo) contrastando com placas que anunciam feitos de pouca repercussão prática. Trabalhar com EJA é trabalhar com a realidade de um submundo. Conversei com gente vinda do interior para tentar a sorte perto da capital; com aqueles cujos pais consideravam mais importante uma renda financeira a mais. Mas também com os que reconheciam ter usado a juventude para ‘aproveitar a vida’. Atendi à alcoólatras, fumantes inveterados, prostitutsas, catadores/recicladoress, pais(mães)-de-santo, pastores e aspirantes a pastores. Vi crianças tomando bebida alcoólica. Vi mulher, mas também homem apanhar de seus companheiros. Tocou-me sobremaneira ver muitas pessoas sob o efeito de psicotrópicos. Certo dia uma moça dizia estar vendo o capeta; ela colocava as mãos na cabeça (região dos ouvidos) e gritava: “sai pra lá, Deus está comigo”. Era de arrepiar. Um vacilo poderia significar uma bolsa, um casaco ou celular furtados. Por mais que nos considerassem mestres, um olhar ‘atravessado’, um ‘não’, um ‘estude mais!’ poderia custar alguns arranhões no carro. Eleger o como dizer sempre foi o ‘x’ da questão. Experiência de mundo real que possivelmente repetirei no ano vindouro.
Para mim, a síntese do ano seria a consciência do quanto um discurso pode criar ou destruir algo.
Que venha 2011.








NOTA
Texto escrito em 01-01-2011. Digitado ao som de Lizz Wright – CD Fellowship. Uma voz negra que não se encontra em qualquer canto. Vale a pena conferir.
A foto ilustrativa é da arte feita pela Lu, meu amorzão, para a nossa porta em casa.




[1] Trecho de ‘Morre-se assim’, uma das músicas do ótimo CD Eu não peço desculpas, de Caetano Veloso e Jorge Mautner.
[2] Música “samba de uma nota só”, de Tom Jobim e Newton Mendonça.
[3] CALVINO, Ítalo. As cidades invisíveis. 1.ed. São Paulo: Companhia das Letras, 1990. Trad. Diogo Mainardi. Tradução de Lê cittá invisibili, 1972, pag. 44.

16 dezembro 2010

LIVRO QUE NÃO FAZ FALTA

16 dezembro 2010 0
Levi Nauter



Acabei de ler um livro que – na minha opinião – não faz falta a nenhuma biblioteca. A intenção pode até ser boa (do autor para com os leitores; da editora tanto para os leitores quanto para o mercado editorial), porém não chega perto do que promete já no subtítulo: 10 regras para abastecer seu trabalho e sua vida de energia positiva. O problema começa com a palavra “regra”. Na vida real é impossível simplesmente seguir o que no livro é proposto. Não há absolutamente nenhuma possibilidade lógica de garantia de efetivação quando a gente diz para alguém “é preciso acreditar”. Também não há garantia quando dizemos “troque o pensamento negativo pelo positivo”. O livro (e aqui não me parece que caiba o epíteto obra) não atinge o seu objetivo.
Vendo de outro lado, no entanto, é necessário considerar que alguém – qualquer ser humano – sempre tem algo a dizer. A idade, as experiências vividas, a cosmovisão, as interações e os contextos sócio-econômicos de alguma forma vão forjando coisas passíveis de ser compartilhadas. É por isso que, embora uma certa inutilidade,  a gente pode encontrar frases de efeito, frases feitas, parágrafos que parecem atraentes. Entretanto, não passam de clichês; são frases que preenchem páginas. A sorte ou a felicidade do autor Jon Gordon foi ter romanceado um punhado de frases e períodos. Ainda assim transparece exatamente a falta da autonomia que o discurso do livro propala.
George – personagem principal – torna-se um dependente da Joy a motorista e ‘educadora’ do chefe desanimado. O cara entra em pânico no dia em que perde o tal ônibus no qual é carregado de energia. Energia que se traduz em uma série de regras superficiais ou subjetivas.

Quanto mais amor você espalha, mais recebe de volta.quando sua equipe sentir o seu amor, vai querer continuar no seu ônibus, não importa aonde ele vá. (p. 111)

Nos moldes desse livro (e não obra, insisto), eu não sirvo para o ônibus da energia. Não me parece lógico ir “não importa aonde”. Ora, se estou indo para algum lugar quero, sim, saber que lugar é esse, o que vou encontrar por lá, que oportunidades me esperar (ou desafios). E será que me interessa ir pra lá? A regra número oito, ‘ame seus passageiros’, é incapaz de me seduzir. Mas também a regra 3: ‘abasteça seu ônibus com energia positiva’. O que é essa energia? Mudar o jeito de ver as situações cotidianas? Só isso?
É possível, certamente, que haja quem goste dessas teorias assim, rasas, de superfície. Não é o meu caso. O trecho com que encerro minha resenha, de novo, é questionável:”Não existe presente melhor que a alegria e a felicidade que podemos transmitir aos outros” (grifo meu, pág. 96).
Não sei você, eu vou de carro ou de trem. 






 

20 novembro 2010

DEI PRA FICAR BOBO

20 novembro 2010 0

Levi Nauter



“A idade não é a que a gente tem, mas a que a gente sente”
Gabriel Garcia Márquez[1]





Eu sabia que a minha hora iria chegar. Já li em alguns livros e ouvi algumas palestras sobre o envelhecer. E não tenho problemas com a velhice em si. Porém, de repente, comecei a notar que algumas das minhas atitudes atuais parecem ser mais de alguém que tem pouco a perder, de alguém que, para determinadas atividades, esqueceu o pudor. Perdi algumas vergonhas.
Lembro-me que na minha profissão sempre fui (e devo dizer que ainda continuo a ser) muito discreto. Jamais fui afeito aos holofotes; prefiro os bastidores a um brilho efêmero e a uma pseudocelebridade. Aliás, minha criticidade não permite que eu veja pessoas como celebridades. Vejo a todos como pessoas, gente. Os que se destacam têm lá seus motivos – na maioria das vezes questionáveis.
Há alguns anos eu me negaria cantar e tocar numa escola. Sempre achei que isso era (e na essência ainda é) coisa para alunos e alunas. Eles precisam de bem mais oportunidades, sem contar que, em tese, um professor sabe mais dos caminhos (e possíveis atalhos), tem ou deveria ter noção de para onde vai.
Pois eu fiquei bobo.
Desde o início deste ano, resolvi que iria participar de qualquer evento cujo objetivo fosse demonstrar ao aluno e às alunas a possibilidade de fazerem mais do que vêm fazendo. A partir daí – vejam se eu posso – minha agenda não mais parou. Além da correria normal de quem trabalha 60 horas semanais, recebi convites para cantar e para – estritamente em alguns encontros de formação – imitar, digamos, os mais famosos colegas educadores do município em que trabalho.
O evento mais legal – aquele que vale destacar – foi feito na escola em que trabalho há 11 anos. Nela eu e um colega (professor de inglês e fã incondicional do Rush, além de músico do Tarcísio Meira’s Band) tocamos coisas que amamos e que são praticamente desconhecidas àqueles que têm apreço por Luan Santana, Hori, Restart entre outras quinquilharias. Com muito gosto e com a participação da colega Magda Schmidt, especialista em educação e há muito estudante de música, cantamos Titãs (das antigas), Tim Maia,  Paralamas e até um Caetano saiu. Enquanto fazíamos nosso pequeno show, os alunos estavam envolvidos em um brechó. Com as vendas adquiriram um som para ser posto no recreio – com prévia discussão das músicas que irão rodar.
Também cantei com os colegas no dia dos pais.
Outro momento especial foi a ideia da colega Lisa, professora de educação física e também responsável pela biblioteca e hora do conto. Fizemos uma semana literária na qual poderia ser apresentada qualquer produção artística envolvendo um dos poetas selecionados (Mário Quintana, Cecília Meireles, Manuel Bandeira, Drummond e Vinicius de Moraes). Em geral, cada professor fez sua apresentação no turno em que trabalha. Eu decidi, de improviso, cantar O pato – do Vinicius – nos dois turnos. Foi lindo ver e ouvir a gurizada cantando brincando.
Aproximadamente um mês depois eu estava fazendo as mesmas estripolias, agora, porém, com professores de uma outra escola na qual participei de uma formação.
Sei lá, mas agora andam querendo que eu cante num evento onde estarão jovens de todo o município, principalmente os interessados em Grêmio Estudantil. Nesse evento eu cantaria apenas músicas de movimentos estudantis das décadas de 60 a 80 – ponto alto em nossa história recente. Não sei se ainda está em pé, mas a ideia é boa.
Não sei aonde isso vai dar. Sei apenas que fiquei meio bobo.
Há bobices boas de se viver.
  




[1] In MÁRQUEZ, Gabriel García. Memória de minhas putas tristes. Rio de Janeiro: Record, 2005. Trad. Eric Nepomuceno. Tradução de Memoria de mis putas tristes. Romance colombiano. Página 68. 






26 outubro 2010

Menção

26 outubro 2010 0



Levi Nauter



Quando decidi, em janeiro/2010, criar um blog[1] dedicado à minha filha pensei num futuro indefinido no qual ela iria ler-me. Minha intenção foi e continua sendo o desejo de dizer ao meu baby o quanto ela é importante para mim. Dizer também das minhas peripécias (nem tanto) no cuidado com ela. Falar-lhe das vezes em que perdi o sono por ela não estar bem; ou perdido porque ela estava bem. E assim tenho feito.
Cuidar da Maria Flor tem sido a melhor aventura da minha vida. Ela é muito fofa.
Para minha surpresa, participei de uma formação bem interessante[2]. Dentre os temas abordados, a paternidade foi um ponto alto no meu conceito. Os estudiosos e pesquisadores ‘bateram’ nesta tecla: a criança precisa do contato com o pai (mesmo que ele não more com a mãe). Precisa, mais ainda, saber da própria história, da sua chegada neste mundo, da alegria que ela transmite a nós que a cercamos.Psicanaliticamente, foi falado, a mãe dá o vínculo afetivo enquanto o pai, o social. Ambos os vínculos são importantes.
Ouvir os produtores de conhecimento e saber-me no caminho certo dá-me uma alegria indizível. Resta-me prosseguir com meu Blog dedicado ao meu amorzinho.
Acompanhem-me nessa aventura.







[2] Participei da XI Jornada de Estudos do CAEPSY – http://caepsy.com.br – mais especificamente, gostei da palestra do professor Celso Gutfreind, médico psiquiatra, membro da SBPP, psicanalista e escritor. Tanto o tema quanto o seu entusiasmo eram contagiantes: “A falta do pai e as conseqüências na adolescência”.

25 outubro 2010

colegas e mestres

25 outubro 2010 0
Levi Nauter

 


Parece ‘chover no molhado’, mas é a mais pura verdade: sou um privilegiado. Tenho a alegria de trabalhar com pessoas bem legais e com as quais muito aprendo. São professores de diversas áreas, com diferentes especializações, trabalhando com os mais diversos casos de alunos. A maioria dos meus colegas, tal como eu, trabalham 60h semanais para, ao final do mês, ter um melhor salário.
Eu tenho um carinho especial pelos meus colegas da noite. Trabalhamos numa comunidade cujos governos esqueceram de revisitá-los. Uma gente pobre, cheia de vulnerabilidade social (altos índices de violência, de consumo de drogas e uso de psicotrópicos). Lá se vê a utilidade do Bolsa Família – única renda de muitos. Igualmente lá, nos intervalos, é que vejo alguns alunos sedentos de um bom papo, com fome de gente que os valorize, que diga a eles do quanto são capazes de irem mais além. Mais que cuidar da aprendizagem, cuidamos, mesmo não tendo tanta clareza, bem mais da autoestima; em diversos momentos somos mais agentes de saúde mental do que professores. Somos bailarinos e fazemos acrobacias para eles rirem conosco.
A esses profissionais eu devo um agradecimento. Eles me fizeram uma bela e inesperada surpresa. Entendi como um mimo pelo dia do professor e do secretário. Além de refris e torta, recebi um vale-presente. Com ele adquiri dois livros: (1) A arte de educar, do psiquiatra e quase-ator Flávio Gikovate, e (2) Temperamento forte e bipolaridade, do também psiquiatra (e professor) Diogo Lara. Duas obras numa área da ciência que respeito e gosto de ler. Já estão na fila. Assim que lê-los postarei algo a respeito.
Obrigado colegas.
Vocês são demais.



15 outubro 2010

a sombra da mangueira - explicação

15 outubro 2010 0

Levi Nauter

Agora é fato. Depois de tanto sonhar, querer, planejar e imaginar sinto-me mergulhado na beleza dessa realidade. Todo e qualquer ser humano deveria ter essa dádiva também. A vida, porém, tem dessas coisas, tem de injustiças, tem também certo desleixo e um enfoque no consumo desenfreado em banalidades. Acaba que um lugar como o que possuo vai ficando em segundo, terceiro, quarto, quinto ou na sobra de algum outro plano. Que pena!
Pois a partir de agora tenho um lugar para dormir, acordar, sonhar. Nele é possível chorar e rir, viajar, navegar, mergulhar, visitar. A fruição pode rolar solta. Igualmente o medo, ora bolas, o arrepio, a surpresa por uma eventual novidade pela qual eu passe. Na minha companhia estarão diversos autores, nacionais e internacionais. Muitos músicos. O computador; as imagens tanto da minha filha quanto de minha mulher.
Finalmente consegui montar minha sala de estudos. Não é propriamente minha, senão da Lu e da Flor na mesma proporção.
A Sombra da Mangueira é um nome sem nenhuma oficialidade, mas com toda a garra e euforia na homenagem ao educador Paulo Freire. Uma amiga emprestou-me À sombra desta mangueira.[1] E eu gostei muito do livro, assim como gosto de quase tudo desse mestre. Seu jeito ‘circular’ de escrever cativou-me desde a primeira leitura que de sua obra eu fiz. A humildade de Paulo foi tanta que, numa leitura mesmo que nem muito atenta, em sua caminhada de escritor vai como que deixando cair sementes, toques, dicas de como escrever melhor. Fala sem medo de suas leituras (num de seus livros a Nita lista suas obras e escritores/pensadores que foram, digamos, forjando o Freire que hoje conhecemos), assim como não se escusa de dizer que pessoas já dormiram em suas palestras.
Em À sombra desta mangueira Freire diz por que sentava à sombra desse arbusto. Ali era o lugar da aprendizagem, da reflexão, a partir donde ele, solitário, partia para o coletivo. Já avançando na idade, descobrira um outro espaço que fazia as vezes da sombra da mangueira: sua biblioteca.

“Possivelmente não interesse a ninguém a indagação que me traz aqui, à sombra gostosa desta mangueira e nela ficar, por horas, “sozinho”, escondido do mundo e dos outros, fazendo-me perguntas ou discursando, nem sempre provocado por minhas perguntas.” (pág. 17)
“As árvores sempre me atraíram. (...) As boas vindas que suas sombras sempre dão a quem a elas chega, inclusive a passarinhos multicores e cantadores. A bichos, pacatos ou não, que nelas repousam.” (pág. 15)
“Minha biblioteca de adulto tem algo disso. Às vezes, é como se fosse a sombra da mangueira de minha infância.” (pág. 16)

Guardadas as devidas proporções, porque a de Paulo possivelmente era bem maior que a minha biblioteca, estou satisfeito com essa aquisição.  Espero que da minha pequena ‘árvore’ saiam galhos e folhas. Espero dar boa sombra aos que eventualmente passarem por mim. Espero ser um lugar de descanso aos ‘viajantes’. Também espero encontrar refugio nesse lugar.
De repente a gente se encontra.




[1] Publicada pela editora Olho d’água, li a 4ª edição (maio/2004) dessa obra empolgante – como me parecem os textos desse mestre.

11 outubro 2010

A SOMBRA DA MINHA MANGUEIRA

11 outubro 2010 3

07 outubro 2010

musica para o feriado

07 outubro 2010 0

Levi Nauter


É sempre um deleite quando tenho a oportunidade de ouvir música de qualidade, seja o estilo que for – desde que bem feita. Para o feriadão, aguardam-me, além de um pátio com grama a ser cortada e flores para serem cuidadas, dois discos instrumentais maravilhosos: (1) o impecável Lee Ritnour com seu trabalho Overtime e (2) Antoine Dufour, um franco-canadense que é porrada no violão, e seu trabalho Existence. Deixo uma palinha deste para nós. Espero que gostem. 








04 outubro 2010

E deu o PT

04 outubro 2010 1
Levi Nauter


Nunca recebi tanto e-mail como nessa campanha eleitoral. Minha ‘caixa de entrada’ esteve sempre acima da média. Não sei se por coincidência, meus amigos militantes da esquerda pareciam mais tranquilos, com eles era possível conversar sobre outros assuntos do cotidiano. Em contrapartida, os simpatizantes da direita estavam aparentemente muito preocupados, para não dizer apavorados.
Os anti-petistas foram os que mais tentaram me convencer a não votar no PT – o que não conseguiram. Por razões óbvias seria impossível eu votar no desastrado Governo Yeda, assim como querer um governo morno como o de Fogaça. Restou-me apostar na união entre os governos estadual e federal.
Foi uma vitória incontestável, no primeiro turno; uma vitória histórica. Abstenho-me de mais detalhes, este era meu desejo eleitoral. Espero que agora, finalmente, o vice-governador esteja mais afinado com seu titular. Ademais, terão a maioria do legislativo gaúcho o que, contando com as posteriores adesões fruto de diálogos, possibilitará substancialmente a governabilidade.
Aguardemos os próximos anos.
Em nível federal houve – eu diria – um adiamento para um aprofundamento nas ideias que eventualmente passaram batidas nos debates. Aí será a vez da direita, enfim, mostrar a que veio. Até agora o que vemos e ouvimos não passam de denuncismos. Não há propostas concretas para o país. Espero que também haja mais politização da população. Sobretudo, mais respeito com quem pensa diferente e não quer nem ser endeusado nem diabolizado.
Por fim, o panorama nacional demonstra-nos que há uma pendência do centro para a esquerda. A direita minguou sensivelmente, a meu ver porque está perdida: não tem projeto, não está se encontrando nas articulações e não sabe por (nem para) onde ataca.
De minha parte, estou satisfeito. 



 
LEVI NA INTERNET ◄Design by Pocket, BlogBulk Blogger Templates ►